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Artigos › 07/11/2018

Caminhos para a felicidade baseados nas bem-aventuranças

No Evangelho, vemos retratada a proposta de santidade de Jesus por meio das “bem-aventuranças”. De fato, é somente em Jesus, por meio do Seu ensinamento e da Sua vivência, como verdadeiro “homem-novo” recriado segundo Deus, que podemos entender o que é ser santo diante do Senhor e dos homens.

Papa Francisco, na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, apresenta cada uma das bem-aventuranças como um caminho de felicidade para todo o cristão. São oito caminhos que nos indicam que: a verdadeira felicidade está em buscar a santidade. Vejamos cada um desses caminhos propostos pelo Papa, inspirado nas bem-aventuranças.

O Desapego

“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do céu” (Mt 5,3). A bem-aventurança alerta para a tentação de buscarmos a felicidade fora de nós mesmos e do nosso relacionamento com Deus. É uma falsa sensação de liberdade que nos é dada pela posse de bens materiais, porém, não consegue nos fazer felizes.

Onde temos buscado a segurança de nossa vida? Verdadeiramente, o que deixa nosso coração seguro e em paz? É preciso cultivar a pobreza de coração, colocando a esperança e a segurança de nossa vida em Deus, nosso único bem e, desse modo, seguir a Cristo, assim como propõe o Evangelho.

A mansidão

Num mundo povoado de discussões, agressões, violências veladas ou diretas, o caminho da felicidade, proposto por Jesus, indica outra direção. “Felizes os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,5). A herança da terra, dada por Deus, não é prometida àqueles que exercem autoridade arrogante ou àqueles que gritam, ou mesmo, àqueles que se fazem ouvir por meio das armas e da opressão dos fracos.

O caminho do Evangelho pede mansidão. Como Jesus é manso e humilde de coração, assim deve ser todo cristão, mesmo ao reagir ao desrespeito e à ironia do outro, mesmo ao expressar-se ou defender sua opinião. A atitude de mansidão daquele que respeita a sacralidade do outro é, também, um caminho de felicidade.

A compaixão

Atualmente, as pessoas fazem grandes esforços para escapar do sofrimento. Passa-se muito tempo buscando conforto, boa vida e luxo. Até mesmo o sofrimento e a angústia, quando aparecem, devem ser logo superados e escondidos. Por exemplo, o “luto” por um ente querido que se foi, caiu em amplo desuso na nossa cultura.

Entretanto, o caminho proposto por Jesus pede que compreendamos bem o sofrimento e, mais do que isso, pede que sejamos solidários com os que sofrem. Sabendo “chorar com os que choram”, compartilhando de suas dificuldades e de suas dores. Saber sentir com o outro, ter compaixão; e essa atitude de vida conduz à felicidade de, quem sabe um dia, também ser consolado em suas tribulações.

A justiça

Numa realidade povoada pela corrupção que, desde a política até as relações sociais mais corriqueiras, nos permeia, é difícil não ouvir falar de justiça. O caminho do cristão é, também, o caminho de quem tem “fome e sede de justiça” e não se cansa de buscar saciar-se.

No entanto, a justiça deve ser experimentada, primeiro na própria vida, porque “O Senhor é justo em Seus caminhos” e, por isso, “É santo em toda a obra que Ele faz” (Sl 144,17), como afirma o salmista. Um caminho de verdadeira felicidade é daquele que busca ser justo naquilo que realiza. Isto é, dando a cada um aquilo que lhe é devido e preservando o mais fraco, aquele que mais sofre. Buscar a justiça deixando de lado os interesses mesquinhos e “os jeitinhos”, no dia a dia, ou seja, buscar a santidade.

A misericórdia

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7), afirma a bem-aventurança. Para além da justiça, ao cristão é proposto o “plus” do amor, ou seja, dar àquele que não fez por merecer e compreender àquele que errou, porque assim escolheu fazer.

Para além da meritocracia, o cristão, em suas relações particulares, deve ser pautado pela misericórdia, compreendendo que seu coração (cordis) é, também, miserável e necessitado (miserere). Aquele que segue a Jesus é chamado a acolher, perdoar e fazer o bem; isso também é possível àquele que não fez bem a sua parte.

Todos somos uma “multidão de perdoados”, de reconciliados pelo Senhor, com o Senhor e no Senhor. É desse modo que devemos tratar uns aos outros. O julgamento e a calúnia, por exemplo, são sinais claros de quem não escolheu o caminho evangélico da santidade e da felicidade. Aquele que olha e age com misericórdia sabe que, em seu será colocada uma medida que ele próprio poderá suportar.

A pureza

A pureza nada mais é do que ter um coração simples no qual a intenção primeira e primordial é sempre amar. O coração puro é aquele que não está dividido em si mesmo e que busca uma única coisa: amar a Deus e aos irmãos. Além disso, não permite que nada fira essa sua opção fundamental.

A atenção aos outros e a oração sincera a Deus brotam sempre de um coração puro. Aquele que não consegue direcionar-se interiormente para o amor e enche-se de outras “riquezas interiores”, não pode ser verdadeiro, ser santo ou ser feliz. Quem cuida do seu coração para que esteja sempre presente somente o desejo verdadeiro de amar, preservando-o da imundície mesquinha de outros desejos, esse é um santo.

A paz

A paz definha quando, do coração, surgem o desejo de destruição e de calúnia do outro. É assim que se iniciam as discussões, as divisões, as guerras e toda a espécie de violência. Nos ambientes em que se privilegia somente o negativo, isto é, espalha-se o negativo e se dá credibilidade à fofoca e à mentira, nesse ambiente não pode haver paz.

As pessoas pacificadas interiormente, aqueles colocam os “óculos da bondade” para olhar para as outras pessoas, são automaticamente fonte de paz por onde passam. Somente quem olha para o mundo e para as pessoas, buscando ver o bem que lá se encontra, valorizando os outros, esse pode estar pacificado interiormente.

Essas pessoas conseguem tirar bondade onde aparentemente não há e, por isso, olham para a vida de forma diferente. Não é fácil construir a paz. Não basta negar ou esconder-se dos conflitos, é necessário buscar sempre uma nova proposta de superação, por meio do diálogo, da escuta, do respeito e da compreensão. Não há receita pronta para isso, mas é “um caminho que se faz caminhando”. O verdadeiro filho e filha de Deus é pacificador e, por isso, é santo e feliz.

A autenticidade

Aquele que escolhe buscar a santidade e ser feliz aos moldes de Jesus,é o mesmo que anda contra a corrente da lógica seguida por grande parte das pessoas. Então, surgem a incompreensão, a perseguição, a chacota e ironia, num momento ou noutro essas coisas se apresentarão ao cristão verdadeiro. Pois, trata-se da comum preocupação das pessoas de, primeiro condenar, desacreditar e desconsiderar aquele que busca viver uma vida coerente com os princípios do Evangelho.

Mesmo em meio a essas reações, o cristão é chamado a ser autêntico e, como discípulo e missionário, anunciar a proposta e a mensagem de Jesus. Na vida do que busca ser santo, nunca se pode esquecer da cruz cotidiana e das perseguições inevitáveis que o testemunho acarretará. Ser santo, neste sentido, é abraçar uma vida condizente com o Evangelho todos os dias da vida, mesmo que isso nos acarrete problemas e incompreensões.

A felicidade advém daquela convicção interna que, ninguém, nos pode tirar. Aquela convicção de estarmos sendo coerentes com o projeto de Jesus, autor e consumador de nossa fé e razão de nossa esperança.

Procure viver esse caminho

Cada uma das atitudes interiores e exteriores apresentadas nas bem-aventuranças – o desapego, a mansidão, a compaixão, a justiça, a misericórdia, a pureza, a paz, a autenticidade (Cf. Mt 5,1-12) – conduz-nos à nossa integração, à essência mais profunda que restabelece, em nós, uma relação positiva e amorosa com Deus, com os outros e conosco mesmos. Seguindo esse caminho, nossa “santidade” será fecunda e tornar-se-á felicidade para nós e para todos que encontrarmos.

Por Diácono Josimar Baggio, scj, via Canção Nova

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