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A realidade que nos cerca

Olhando as informações e notícias que a cada instante nos chegam, ficamos cada vez estarrecidos de certa forma impactados pelo que elas vão nos causando. Notícias do aumento da covid 19 por um lado e por outro, a total falta de atendimento gerando assim, mais dor e sofrimento com o aumento de mortes de conhecidos nossos.

É um sentimento que nos deixa quase sem palavras ou sem ação, nos paralisa. Autoridades que deveriam estar trabalhando e dedicando o tempo que for preciso para encontrar soluções possíveis e tratar de disponibilizar os recursos financeiros para viabilizar cuidados necessários para que a vida possa ser da melhor e mais eficiente forma preservada. É o mínimo que se espera. Porém, o que nos chega através da notícias é que a situação vai se agravando mais ainda. Por exemplo nos dois últimos dias os mortos por covid ultrapassaram facilmente a soma de duas mil pessoas, precisamente: “com 2.207 mortos em 24 h, país chega a 50 dias de média acima de mil”.[1]

Por isso, como as Bestas do Apocalipse, a bestas dos impérios de hoje continuam nos cegando para que não vejamos a realidade de dor e sofrimento de nossos irmãos e irmãs ou se vemos nos sentimos impotentes diante de uma estrutura tão bem arquitetada pelos ídolos da morte, que não conseguimos enxergar ou até mesmo enfrentar. É uma sensação de impotência, parece que a única saída seja desistir de acreditar e de lutar por um mundo melhor e que a vida esteja no centro de todo e qualquer valor.

Essa realidade nos coloca sempre a olhar a fragilidade humana, mas também nos deve fazer pensar na responsabilidade que nós temos com o cuidado com vida de maneira geral. A cada dia vemos mais destruição da natureza, quer seja da floresta, fontes e nascentes, rios, quer seja dos animais. Vemos a destruição do sola na busca dos metais precisos, que enriquecem mais ainda os que já têm demais.

Pro povo sobra a dor, o sofrimento, causado pelo desemprego, os que ainda trabalham vêm a desvalorização do salário. Sobra também o aumento dos bens necessários para sobrevivência. Como, diante dessa realidade acreditar nas promessas contadas diariamente através dos meios de Comunicação? Como manter a fé e a esperança?

No tempo de Jesus, no século primeiro, o povo também sofria com situações muito difíceis e muitas inseguranças. Tudo isso, afetava a vida e fé do povo e uma esperança da intervenção de Deus era a única esperança. Várias situações descreviam essa intenção,

“As tribulações messiânicas: pestes, fomes, tremores de terra, diversos flagelos; a volta de Elias; a manifestação do Messias (cada um esperava o Messias que corresponde a posição de seu grupo; o Messias atualmente escondido pode desempenhar o papel essencial ou um papel secundário, no conjunto); a luta e a vitória contra as potências maléficas; o Reino de Deus: restauração da teocracia de Israel, volta do exílio, purificação de Jerusalém, transfiguração d templo, renovação no espírito, reino político do Messias, participação das nações; restauração dos mortos; o juízo, a idade de ouro: felicidade messiânica para os justos, o castigo dos ímpios[2].

Essas situações parecem nos assolar nos dias de hoje. É claro que não do mesmo jeito. Mas, mesmo assim, tem pessoas que sem fazer uma diferenciação necessária, leem os textos bíblicos como se fossem uma receita para hoje, tal qual está escrito. Mas, não é bem assim.

Estou trazendo uma luz a partir do livro do Apocalipse, livro atribuído a João (pode ser ou não o evangelista), que não é uma leitura que traz visões como se fosse uma “bola de cristal”, descrevendo o que estamos passando hoje. Ele não foi escrito para amedrontar o povo de seu tempo e muito menos a nós hoje. Ele é sim, um livro que foi escrito para manter a esperança e fé das pequenas comunidades do final do século primeiro diante das dificuldades que estavam passando, quer sejam entre os seus membros, quer sejam com a realidade social.

Em Apocalipse 1,17, que informa sobre a figura de ser humano que João vê diz assim: “Ao vê-lo, caí como morto a seus pés. Ele, porém, colocou a mão direita sobre mim assegurando: Não temas!…”. Com essa bela mensagem de alguém que está ao nosso lado nos animando, como podemos dizer que o Apocalipse é para meter medo? Ao contrário, é para animar, assim como animou as comunidades daquele tempo.

Deus sempre quis e continua com sua proposta de vida para seu povo, para o povo empobrecido que busca nele manter as esperanças. Pois os grandes de hoje são como os poderosos no tempo de João, que ele descreve como sendo bestiais. Ou seja, não são como Jesus, que tem sentimento humano. Por isso, é misericordioso e nos ama.

Já no final do Apocalipse em 21,1-2 nos diz assim: Vi então um céu novo e uma nova terra – pois o primeiro céu e a primeira terra se foram, e o mar já não existe. Vi também descer do céu, de junto de Deus, a Cidade santa, uma Jerusalém nova, pronta como uma esposa que se enfeitou para seu marido.”

É a promessa que Deus fez e ela continua de pé, para nós.

O momento atual está sombrio, vemos como se um véu nos embasasse a vista. Jesus, que é Deus presenta em nossas vidas, nos ajuda a enxergar com fé removendo o véu da cegueira, nos mantem na firme esperança de dias melhores.

 

Pe. José Roberto, OMI.

[1] https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/03/11/covid-19-coronavirus-mortes-casos-11-de-marco.htm?cmpid=copiaecola. Acessado no dia 12/03/2021.

[2] MORIN, Émile. Jesus e as estruturas de se tempo. São Paulo. Editora Paulus. 2016, p. 11-12

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