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JUPIC › 05/12/2019

Folhetim – 05 de Dezembro 2019

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

AMÉRICA DO SUL

A Colômbia é o quarto país do continente a passar por onda de protestos que refletem frustrações populares. Até outro dia, quatro foram mortos, fora o saldo de centenas de feridos e presos. É o quarto país a ser afetado neste ano por uma onda de manifestações, grande parte delas violentas. As reivindicações dos que vão às ruas são difusas, e os eventos que deflagraram movimentos, variados.

A ciência política tem particular dificuldade em explicar a eclosão de manifestações populares, que não raro aparentam surgir espontaneamente por motivos banais e sem lideranças claras. Como explicar? Entre 2003 e 2011, os países da região experimentaram um forte ciclo de orientações ideológicas variadas, promover políticas de inclusão social e redução da pobreza que lhes rendeu popularidade.

A partir de então, com mudança nos termos de troca do comércio internacional, as “commodities” perderam valor, encerrando a bonança.

A reversão do cenário de melhora contínua frustraria as expectativas das populações e acirraria o conflito distributivo e a polarização, tornando os países latino-americanos mais vulneráveis a protestos e até mesmo a convulsões sociais. A hipótese ajuda a entender não apenas as manifestações de rua, o Brasil viveu as suas em 2013, mas também outras mudanças no quadro político, como a alternância de poder em diversas nações.

Somados os dias em que a população do Chile, Haiti, Equador e Bolívia foram às ruas, chegamos a 106 dias…

Outras causas? A desigualdade econômica, os salários baixos, a pouca ou nenhuma mobilidade social, e a falta de um futuro melhor para os jovens. É a globalização e a perda de postos de trabalho causada pelas ondas de imigrantes, de produtos chineses e de robôs. São os políticos que perderam a sintonia com as pessoas e só representam a si mesmos ou as elites. São as redes sociais e os agentes furtivos que as utilizam para semear a discórdia, aprofundar os ressentimentos e a desconfiança que dividem as populações.

Outras causas? É o enfraquecimento da família como núcleo da sociedade. É a perda da dignidade, senso de comunidade e das tradições e regras que contribuem para criar identidade e sentimentos de ajuda e solidariedade. É a discriminação racial ou as tensões entre grupos étnicos ou religiosos. Ou a necessidade de desalojar de poder um regime político inaceitável ou
de resistir a leis injustas. E os protestos pegaram de surpresa os governos. Nem Macron, nen Piñera, nem XiJinping estavam preparados para se antecipar ou responder à escalada de manifestações.

Os protestos de rua são como os incêndios florestais que vêm aumentando de frequência e intensidade. Esses incêndios vão continuar e teremos de aprender a viver em ecossistemas propensos a se incendiar. Sociedades e seus líderes terão de aprender a viver com frequentes protestos de rua.

EVO MORALES

Em 2005 ele ganhou as eleições com 53% dos votos; com 64% em 2009; e 61% em 2014. Neste ano, teve 47%. Para ele, as novas gerações não conheceram como viviam as pessoas na ditadura militar ou nas ditaduras do modelo neoliberal.

Tem crianças, jovens, que acham que se vivia em boas condições, com telefonia celular, crescimento, universalização dos benefícios sociais. Diz ele ter criado a nova classe média boliviana que hoje
tem outras demandas.

Para ele, o golpe começou em 21 de outubro, dia seguinte às eleições quando Carlos Mesa não reconheceu os resultados. Centros eleitorais foram queimados, e a e a polícia suspeitosamente se afastou. Deixei a Bolívia sem roupa e sem documentos; hoje a minha vida no México é acordar cedo, tomar banho, comer e dormir; e já aprendi a arrumar minha cama e a fazer o café da manhã…

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