Rua Padre Marchetti, 596 - Ipiranga, São Paulo - SP

(11) 2063-3955

provinciadobrasil@oblatos.com.br

JUPIC › 07/04/2020

Folhetim – 07 de Abril 2020

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

TEMPO DE EPIDEMIAS

A arqueóloga Joana Freitas diz que pandemias mudaram o curso da história. Uma delas, a peste bubôncia, em Roma, entre 527-565 d.C; o império romano entrou em colapso. Nunca mais foi unificado. A data marca o começo da era medieval. O medo da realidade mergulhou o Ocidente na idade das trevas, a Idade Média. O povo dizia que Deus estava castigando aqueles que não tinham fé ou adotavam uma religião pagã. A Igreja Católica se expandiu. Deu na Inquisição. A peste negra, entre 1343 e 1351, atacou a Ásia e a Europa e matou, segundo Joana, cerca de 80 milhões de pessoas. Afetou toda a economia mundial.

Porém o caminho foi oposto. A medicina rompeu os tabus do catolicismo e passou a tratar o corpo humano como algo a ser investigado, não como a face de Deus. Deu na Renascença. Os
portugueses se dedicavam ao comércio da seda e das especiarias do Oriente. Quando os turcos invadiram Constantinopla aquele comércio foi interrompido; as caravelas portuguesas
passaram a avançar pelo Atlântico Sul e Índico e, pela primeira vez, juntaram biomas do Hemisfério Norte e Sul e de três florestas tropicais, a do Sudeste da Ásia, a africana e a brasileira. Com
isso, os vírus de um ambiente viajavam pelos continentes nas caravelas e contaminavam povos distantes ou há milhares de aos isolados. Malária, Febre amarela e Varíola atacavam os nativos.
Os indígenas do Novo Mundo foram dizimados por uma arma mais letal que ferro e chumbo de conquistadores portugueses e espanhóis: Cólera, Gripe, Sarampo, Tifo, Varíola, Peste bubônica.

Tivemos Sífilis, Tuberculose; HIV, Ebola, N1N1, Sars, Chicungunha e Zica. Epidemias e pragas estão entre nós desde os tempos bíblicos.

1918

Esse ano foi o ano dos quatro “G” na cidade de São Paulo: geada, gafanhotos, guerra e gripe. A geada devastou as plantações de café; uma praga de gafanhotos completou a devastação; o Brasil enviou soldados para a 1ª guerra mundial; e navios chegavam ao país trazendo a gripe “espanhola”. A epidemia durou 66 dias; oficialmente, 116.777 foram infectadas e 5.331 morreram.

Extraoficialmente, os infectados chegariam a 350.000, o que corresponderia a dois terços dos habitantes. O escritor Paulo Duarte escreveu, em suas memórias, que na Rua da Consolação passavam filas de caminhões levando cadáveres. Foi preciso ampliar os cemitérios da Consolação, os outros três existentes, e abrir um novo na Lapa. A Hospedaria dos Imigrantes virou hospital. Nos bairros populares dizia-se que, mais do que a doença, temia-se a Hospedaria onde se aplicava o “chá da meia noite” para apressar a ida dos pacientes desta para a melhor.

31 DE MARÇO | 1º DE ABRIL | 1964

Nessa data era deposto João Goulart; era o início de uma ditadura de 21 anos que cassou direitos políticos, torturou e exterminou adversários e censurou a imprensa e a cultura. O general Mourão disse que as Forças Armadas “intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção, que abalavam as instituições e assustavam a população”. O ministro da Defesa, numa ordem do dia lida nos quartéis afirmou que o golpe “foi um marco para a democracia brasileira”. Por outro lado, entidades de direitos humanos estimam que 434 pessoas foram mortas por agentes do Estado no período. Quando o poder voltou às mãos dos civis, o país vivia uma longa crise econômica, além de denúncias de corrupção. O presidente da República chegou a propor que a data fosse festejada. Juízes reagiram e o governo teve de recuar. 56 anos depois, em meio aos avanços do “coronavírus”, a data passou em branco, lembrada apenas nos círculos militares.

Envie suas observações à esse folhetim

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.