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JUPIC › 13/05/2020

Folhetim – 13 de Maio 2020

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

Sem Angola não há negros, e sem negros não há Pernambuco – Antonio Vieira, sj
“O Brasil é o café; e o café é o negro” – Silveira Martins

O mês de Maio, além de ser o Mês Mariano das Filhas de Maria e dos Congregados Marianos com suas fitas azuis, é também o mês da abolição da escravidão no Brasil. É o mês em que os brancos se libertaram do fardo dos negros… que passaram a perambular por estradas e ruas das cidades sem rumo e direção. Era o aumento da “favelização” no Rio de Janeiro que se iniciara com o fim da Guerra do Paraguai (1865-70). A abolição foi uma declaração formal; nada se fez para a população negra se integrar ao processo produtivo alicerçado agora no “trabalho livre” extremamente mal pago. A maioria do ex-escravos não se empregavam por salário; um bom número deles continuaram nas fazendas onde foram escravos.

Entre 1550-1870, 12.521.335 embarcaram para a travessia do Atlântico em mais ou menos 36 mil viagens; 10.702.657 chegaram vivos; ou seja, 1.818.680 morreram, jogados ao mar para os tubarões, o equivalente de 47% do total desembarcado naquele período. Dito de outra forma, de cada cem pessoas chegadas ao Brasil naquele período, 86 eram escravas africanas e apenas 14 eram de origem europeia. O tráfico de escravos no Atlântico foi a maior e
mais continuada migração forçada por via marítima em toda a história mundial. Negros eram comprados no litoral africano numa extensão territorial de quase 6 mil quilômetros por outros mil de largura, da atual fronteira da Mauritânia com o Senegal até o sul de Angola. Até o início do século XIX, o tráfico negreiro era o maior e o mais internacional de todos os negócios do mundo. Filósofos de renome no mundo ocidental (Hume, Voltaire, Kant, Hegel e outros, eram todos racistas com profundo desprezo pelo negro). Aristóteles era senhor de escravos; Thomas
Jefferson (Estados Unidos, segundo o qual seres humanos nasceriam livres e com direitos iguais, tinha os seus); Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, também era dono de pelo menos seis escravos. John Locke, pensador humanista responsável pelo conceito de liberdade na história moderna, era acionista do “Royal African Company”, criada com o único propósito de traficar escravos. No século XIX, até os indígenas “cherokees” nos Estados Unidos tinham plantações de algodão cultivadas por africanos. Também é verdade que sem os reis e chefes locais que lucravam e controlavam o fornecimento de cativos, não seria possível o comércio ter sido o que foi. Quase todos os países europeus se envolveram no comércio de escravos; suecos, suíços, poloneses, lituanos, dinamarqueses, russos e alemães construíram e administraram fortificações destinadas ao tráfico. E isto, para que portugueses e brasileiros fossem os maiores traficantes de escravos ao longo de quase quatro séculos.

O Rio de Janeiro foi o maior porto negreiro da história; cerca de 1,5 milhão de africanos entraram por ali. Em Salvador cerca de 1.3 milhão (o 2º maior) entraram na colônia. Na África, o maior porto de embarque foi Luanda, na Angola. Um em cada dois escravos embarcados para o Brasil teve como destino a região Sudeste, especialmente Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde trabalhavam nas lavouras de açúcar e café e nas minas de ouro e diamantes, além de executarem uma infinidade de ocupações domésticas e urbanas.

Quando publicada a Lei Áurea em 1888, havia cerca de 700 mil na colônia; isso apesar de terem sido importados quase 5 milhões. Os navios negreiros eram o mais perfeito retrato das misérias humanas. É impossível descrever os choros, a confusão, o fedor, a quantidade de piolhos que infestavam os pobres negros. O navio negreiro era a navegação mais dolorosa que existia em todo o mundo. E a primeira providência a ser feita pela tripulação ao chegar às costas do Brasil era retirar as correntes e algemas que prendiam os escravos para que não houvesse marcas na pele. Eram depois lavados com esponja e sabão.

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