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JUPIC › 15/12/2020

Folhetim – 15 de Dezembro 2020

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

PARTIDO DOS TRABALHADORES

O partido está fora das capitais do país. Conseguiu duas prefeituras no ABC paulista: Diadema e Mauá. Em Guarulhos (petista até a raiz do cabelo), o PT disputou o segundo turno com candidato prefeito anos atrás mas não ganhou. O partido ganhou em duas cidades na Bahia: Vitória da Conquista e Feira de Santana; em Minas Gerias o PT ganhou em Contagem e Juiz de Fora. O PT foi o partido que mais disputou prefeituras no segundo turno, o que não é pouco.

O PAÍS QUE SAI DAS URNAS

O mapa que sai das urnas não tem, no comando das capitais, nenhum bolsonarista-raiz e nenhum petista. Isso não é pouca coisa.
Bolsonaro montou seu circo nas redes sociais, liberou a tropa para plantar “fake news”, fez pouco caso da necessidade um partido organizado e escolheu a esmo candidatos para chamar de seus em todo o país, com base quase sempre numa identificação ideológica rasa. Usou e abusou de recursos públicos para bombeá-los. O Psol renovou seu discurso, identificou-se com os jovens, apresentou propostas sociais concretas para a cidade sem necessidade de precisar passar pano na corrupção petista nem pagar tributo a Lula, que vai passar a morar em Salvador.
O segundo turno confirmou a derrota dos extremos, PT e bolsonarismo. Os partidos de centro (DEM, PSDB e MDB) reuniram o maior número de prefeituras. O resultado projeta e dá forma a uma frente contra Bolsonaro e o que ele representa. DEM, PSDB e PSD tiveram importantes vitórias nas capitais mais relevantes; o MDB teve boa desidratação, mas manteve sua capilaridade nacional.

O PAÍS EM 2021

O fortalecimento da direita nas últimas eleições não muda o fato de que o bolsonarismo foi o principal perdedor desse ciclo eleitoral. Da mesma forma, a derrota do Partido dos Trabalhadores nos últimos pleitos não significou o fracasso de todo o campo progressista. O PT, maior partido de oposição da Câmara dos Deputados, terminou as
eleições desse ano com 73 prefeituras a menos, sem eleger nenhum prefeito nas capitais e na 11ª posição no ranking de partidos com maior população governada. A importância histórica do partido é inegável, sobretudo no que diz respeito à priorização dos direitos sociais. A agenda programática defendida pelo partido remonta à sua formação inicial, que reuniu sindicalistas, setores da Igreja Católica e intelectuais ligados a universidades na busca por uma representação legítima de trabalhadores e da parcela mais vulnerável da população. Porém, passados 40 anos da sua fundação, é importante reconhecer que o PT já não é mais o único representante das classes populares. Parte disso vem do fato de o PT não ter realizado ações concretas para enfrentar a corrupção dentro do partido e renovar suas práticas. Uma outra parte deriva do fato de que o partido continua apresentando os mesmos rostos a cada eleição, independentemente de esses noves representarem ou não os anseios da população, como aconteceu na cidade de São Paulo.

Além disso, petistas vêm forçando uma posição de porta-voz da esquerda que não lhe cabe mais, ao mesmo tempo em que se fecham ao diálogo, acusando de fascistas quem não se une a seu projeto político. Ao tratar como principais adversários quaisquer outras forças progressistas, o PT contribui para o fortalecimento das alas fisiológicas e conservadoras. O foco em batalhas dentro do próprio partido não só pulveriza os votos, como transforma possíveis aliados em inimigos. A população está exausta de discursos vazios; continuamos assim sem um projeto de país.

Envie suas observações a este folhetim – dezembro – 2020.

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