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JUPIC › 21/10/2019

Folhetim – 21 de Outubro 2019

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

BRASIL – RICOS, POBRES e CLASSE MÉDIA

Enquanto os mais pobres e os mais ricos tiveram aumento de renda até 2014, a classe média alta (os 20% ricos, exceto o 1% do topo), perdeu renda e acabou pesando politicamente no processo eleitoral.

Vários governos são responsáveis pela desigualdade no país, em que os 10% ricos concentram cerca de 55% da renda total.

A partir de 2016, a renda dos grupos mais pobres foi a que mais diminuiu; mas os rendimentos dos grupos mais ricos também diminuíram, embora muito menos. No topo, a renda manteve-se estável ou até cresceu.

Entre 2002 e 2014, antes de a economia começar a desacelerar e entrar em recessão, houve grandes ganhos para a parcela dos que estão entre os 50% mais pobres. A década de 2.000 é muito singular pois houve reduções sólidas não apenas na pobreza, mas nas diferenças nos níveis de renda em toda a cadeia de distribuição. Grandes mudanças ocorreram no emprego e no crescimento; mudanças no salário mínimo e na estrutura econômica. Mas também houve imenso declínio da participação da indústria de transformação na economia brasileira, especialmente nas regiões mais ricas; há um processo de desindustrialização. Os trabalhadores mais qualificados e os empregos com as faixas mais altas sentiram esse declínio.

Nos anos 2.000 deu-se o fenômeno de encolhimento da classe média; ela ficou achatada entre a grande quantidade de pessoas na base cuja renda estava crescendo, uns 60% da população, e o 1% no topo, os mais ricos. Essa classe média foi a que teve o crescimento mais baixo nos rendimentos. Para algumas parcelas desse grupo, o crescimento foi zero ou negativo, no período de 2002 a 2014.

CENÁRIO POLÍTICO

Levando em conta a desigualdade persistente e o encolhimento da classe média, houve como uma das consequências, a vitória de Jair Bolsonaro.

O país está dividido por causa da dinâmica que gerou perdas monetárias para alguns grupos nesses últimos anos, especialmente desde que o PT chegou ao poder.

O cenário político foi potencializado porque as pessoas e grupos sociais estavam fartas da corrupção, dos escândalos, que passam por quase todos os partidos. Quanto mais alto se está na distribuição, maior é a preocupação com a corrupção; ao mesmo tempo as questões básicas para as classes mais pobres são vitais: emprego, renda, saúde.

O país criou uma linha bastante dividida entre aqueles que apoiaram e aqueles que parecem se opor fortemente ao PT, especialmente aqueles cujos rendimentos não cresceram tanto nos últimos 15 anos. Outro dado; quanto maior o nível educacional, maior foi o voto anti-PT; quanto maior a renda, maior a probabilidade de um voto anti-PT. Isso é curioso no país, pois pelo resto do mundo,
quanto mais instruídas as pessoas, mais elas tendem a votar em partidos do centro-esquerda.

Outra curiosidade: aqueles com os maiores níveis de educação e os ligados a segmentos empresariais estavam do mesmo lado; os pobres ficaram do outro lado.

Em síntese: o drama (ou tragédia) é que o mais rico recebe 34 vezes o ganho do mais pobre; o rendimento médio com trabalho do 1% rico é de R$ 27,7 mil; dos 50% mais pobres, R$ 820.

Metade dos brasileiros vive com R$ 413 por mês.

Nota: os dados vêm do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua.

PLANO REAL

Em julho passado o Plano Real comemorou 25 anos. As novas gerações não se lembram, mas a inflação era um flagelo: um dos fatores do aumento da pobreza e da desigualdade.

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