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JUPIC › 22/04/2020

Folhetim – 22 de Abril 2020

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

EPIDEMIAS E PESTILÊNCIAS

Sobre isso voltaram a ter piques de venda dois romances: A Peste de autoria de Albert Camus em 1947; e Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago em 1995. São duas alegorias políticas. Na primeira Camus busca configurar os nazistas como ratos a infestar e espalhar a peste bubônica na feia e tranquila cidade de Omã, na Argélia francesa; era a maneira mais engenhosa que Camus encontrou para retratar as tropas alemãs que então ocupavam a França e espalhavam o terror pela Europa. No segundo romance, a cegueira imaginada por Saramago se expande como um vírus e só livra os olhos de uma mulher; em seu rastro de destruição pessoal, social e econômica, a cegueira generalizada põe em xeque a ganância, o poder, a obediência e a vergonha. O interesse popular por epidemias, pandemias e pragas similares é tão antigo quanto a existência de tais pestilências. Desde Homero, Sófocles e Tucídides, a história, a prosa e o teatro gregos estão cheios de referências aos flagelos daquele tempo.

A peste bubônica que começou no norte da Itália e se espalhou pela Europa entre 1347 e 1355, ceifou em seis anos 60% da população europeia. São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de
Janeiro, despontou na mitologia cristã como protetor das vítimas, tida como a mais devastadora de todos os tempos. E com esse atributo a peste bubônica foi retratada por artistas famosos
como El Greco e Rubens. Houve outras epidemias. A Peste Italiana de 1630 fez 280 mil mortos nas planícies da Lombardia e no Vêneto; a grande praga de Londres em 1665; a peste de Marselha em 1720; e as pestes que devastaram cidades do litoral da China nos séculos 18 e 19. Com frequência tais pragas eram explicadas como sendo castigos enviados por Deus devido à depravação humana.

A gripe espanhola que assolou São Paulo de setembro a dezembro de 1918, levou à morte 5.500 pessoas e mais de duzentas mil ficaram doentes. De espanhola a gripe não tinha nada. Ela se originou em Kansas, nos Estados Unidos, e foi levada para a Europa na primeira guerra mundial por soldados americanos. O Serviço Sanitário pedia que as pessoas
ficassem em casa. Os remédios recomendados eram a vaselina mentolada, o gargarejo com água iodada e sal de quinino… Mas ninguém acreditava que fizessem efeito. Jornais da cidade
diziam que pinga com limão também cura a influenza… Em todas essas pragas proibiam-se aglomerações, especulava-se com os preços de alimentos e as mercadorias sumiam. As grandes
epidemias foram capazes de mudar o curso da história política do mundo. Atenas viu seu império ruir para Esparta por causa de um grande flagelo sanitário. No século 14 a chamada ‘peste
negra’ dizimou um terço da população europeia e contribuiu para o fim dos sistema feudal. Em 1918 a gripe espanhola acelerou ou fim da 1ª Guerra Mundial beneficiando os países da Tríplice
Entente (França, Reino Unido e Rússia). Já o Covid 19 vai causando um grande estrago entre a população de baixa renda. Estima-se que somando os desempregados, desocupados, subocupados e desalentados, chega-se a 23,2 milhões de trabalhadores. Se a cada um deles forem associadas duas pessoas, a conta mostrará 69,6 milhões de pessoas, ou seja, um terço da população, em condições muito precárias. Na maior parte das famílias, um desempregado e desalentado é suficiente para complicar a situação do conjunto, já forçado a suportar más condições de moradia e serviços de saúde em geral deficientes.

FUTEBOL

O esporte movimenta 157 mil empregos de forma direta e indiretamente. Sem ele, o pessoal que depende dele está sem receber ou recebendo parcialmente seus salários. Os jogadores estão de férias até o dia 30 deste mês; e terão seus vencimentos alterados devido à interrupção dos campeonatos.

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