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JUPIC › 15/09/2021

Folhetim de 15 de setembro de 2021

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

DOM PAULO EVARISTO. Vivo estivesse, faria 100 anos. Foi nomeado Bispo Auxiliar da Aquidiocese de São Paulo em 1966. Em novembro de 1970 tornou-se Arcebispo. Tornou-se Cardeal em 1973. Vendeu o palácio episcopal localizado na região da Avenida Paulista; a venda teve muita resistência da parte dos cônegos. Com o dinheiro ele comprou muitos e muitos terrenos pela periferia de São Paulo para capelas e centros comunitarios; sem isso dificilmente teríamos a quantidade de paróquias pela periferia da cidade. Seu lema episcopal era “de esperança em esperança”. Sua fala era baixa e firme; exalava coragem, afeto e paz. Daí ter guerreado como poucos em busca de justiça. Dom Paulo tinha o dom de comandar sem parecer que comandava, sem a vaidade dos comandantes. Enfrentava o arbítrio de peito aberto e assim abria também portas de prisões onde havia torturas; ao passar altivo por policiais ou soldados armados, e perplexos, com o tom das ordens que dava: “vou entrar, sou o arcebispo de São Paulo, abra!”. Abriam, e o arcebispo entrava. Sua atuação foi incisiva e decissiva nos assassinatos de Alexandre Vanucchi (1973) e Vladimir Herzog (1975. Sua presença destemida junto ao corpo de Santo Dias da Silva no Pronto Socorro de Santo Amaro garantiu uma multidão de gente da Igreja da Consolação para a Catedral, e daí para o cemitério de Campo Grande. Há foto na sala de reunião da Casa Provincial. Dom Paulo foi o primeiro a nomear uma mulher, Nadir Kfouri, reitora da Pontifícia Universidade de São Paulo. Dom Paulo emergiu para o país como gigante dos direitos humanos. Ao lado do rabino Henry Sobel, do reverendo Jaime Wright e do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Audálio Dantas, ele comandou o Ato Ecumênico na Catedral da Sé. Oito mil pessoas manifestaram sua indignação represada por anos a fio. Começava ali, dia 31 de outubro de 1975, o fim da ditadura. “Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História…” Começava ali, 31 de outubro de 1975, o fim da ditadura.

 

1973 – Vende o palácio episcopal por 5 milhões de dólares e constrói centros comunitários na periferia.

1975 – Inicia uma série de apelos em defesa da anistia. Tem audiência com o Presidente Médici sobre torturas comandadas por militares. É expulso do gabinete presidencial.

1980 – Acompanha o Papa João Paulo 2o em sua primeira visita ao Brasil. Defende na ocasião os líderes das greves do ABC que pressionam o regime militar.

1985 – Lança, com o apoio financeiro do Conselho Mundial de Igrejas e o Rev. Jaime Wright, o livro “Brasil: Nunca Mais”, contendo informações dos arquivos militares oficiais sobre o uso da tortura durante o regime.

1989 – João Paulo 2o divide a Arquidiocese de São Paulo para que diminua sua autonomia sobre as áreas periféricas; houve muita pressão de bispos para isso. Dom Paulo é o negociador para a libertação do empresário Abilio Diniz que havia sido Sequestrado. Dom Paulo é indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

1992 – Sofre um grave acidente automobilístico em Santo Domingo, República Dominicana, onde participava de encontro de bispos. Houve muita conversa sobre a intenção do acidente.

1998 – Missa de despedida da Arquidiocese; torna-se emérito em maio.

2001 – É nomeado para o Conselho Deliberativo do Instituto de Estudos Avançados da USP. Lança a autobiografia “Da Esperança à Utopia – Testemunho de uma Vida”

2010 – Morte de sua irmã Zilda Arns em 2010 no Haiti; era coordenadora da Pastoral da Criança.

2016 – Fala pela última vez no auditório da USP repleto de bonés vermelho do MST, ele próprio filho de pequeno agricultores. Morre em 14 de dezembro de 2016.

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