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JUPIC › 22/07/2021

Folhetim de 22 de julho de 2021

OBLATOS DE MARIA IMACULADA
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

CUBA. 2003 —três dissidentes foram presos e executados por tentarem fugir de barco.
2007 —o governo mandou prender três boxeadores que haviam tentado se exilar no Brasil durante os Jogos Panamericanos. O português José Saramago, brilhante escritor, defensor e admirador do regime, rompeu com ele.
2020-21 — o governo controlou o covid-19 de maneira exemplar, de forma mais eficiente que Bélgica e Suécia, que tem a mesma população e respectivamente 10 e 20 vezes mais mortos. A vacina é 100% cubana.

CUBA. A revolta popular ocorrida em 11/7 último em diferentes partes de Cuba nos leva a olhar para os problemas internos do país e as contradições atuais da revolução.

1. O Produto Interno Bruto, com a pandemia, caiu 11% e o turismo secou. As divisas trazidas pelos turistas secaram; eram responsáveis por irrigar uma parte importante da vida econômica da população das cidades maiores. Diante da escassez de divisas, o governo resolveu antecipar uma reforma monetária e cambial que unifica as duas moedas emitidas pelo Estado, e resolveu reformar a estrutura de renda nacional.

2. O governo criou a Moneda Libremente Convetible (MLC) — (1 mlc valia 25 pesos cubanos e só existia em forma de cartão, boa parte dele nas mãos de cambistas (nota: Barack Obama passou três ou quatro dias em Cuba). Junto com isso o governo eliminou subsídios a produtos e itens do cotidiano, aumentou tarifas e multiplicou salários em cinco vezes. As medidas impactaram diretamente o poder de compra dos cubanos e teve efeitos colaterais duros no cotidiano da população. Num contexto de escassez de produtos, a insatisfação se expressou pelas redes sociais, smartphones, e principalmente pela internet (Cuba tem população de 11 milhões — 7 milhões tem acesso a internet — ou 65% da população; é esse acesso que possibilitou a organização de 11/7.

3. Ledo engano. O governo havia decretado o fim do “cuc” — a moeda convertível, mas já era tarde. As necessidades imediatas de alimentação, eletricidade, gás, combustível e outros itens básicos se tornaram difíceis de encontrar e comprar; a ilha importa 60% do que consome e produz dois itens básicos: açúcar e charutos.

4. Burocratização. Os canais de poder popular nas estruturas políticas cubanas estão burocratizados, perderam representatividade históricas. São demasiado oficialistas e já não absorvem as contradições internas da sociedade. Tais canais se tornaram órgãos de representação do Estado perante a sociedade, e não da sociedade perante o Estado. A revolta de 11/7 expressa isso: um povo que está sentindo raiva e está passando dificuldades econômicas, mas não mas não tem canais suficientes de expressão e poder. O resultado é essa panela de pressão. Raul Castro se empenhou em reformar a economia expandindo formas de negócio privado, Mas não atingiu da mesma forma as estruturas políticas de poder do país.

5. Dentro de Cuba existe um setor popular contra a revolução que considera o governo uma ditadura. Foi ele que gritou “abaixo a ditadura” e “liberdade” em 11/7. Desde 2011 0 governo facilitou a criação de negócios por conta própria individuais, que cresceram de 50 mil para mais de 500 mil entre 2011 e 2020. Já a criação de cooperativas foi dificultada por procedimentos burocráticos e falta de incentivos. Uma economia que cresce com negócios privados e não com cooperativas estimula uma subjetividade individualista. A desigualdade de tratamento do Estado para criação de negócios privados e de cooperativas está sendo apontada como um problema.

6. A escassez crônica de alimentos e remédios é aquda; o embargo econômico americano que vem de longe precisa acabar. Remessas de dinheiro enviadas da Flórida estão sendo vigiadas. O contrato tácito que manteve a paz social por seis décadas foi quebrado. O povo tolerava o Estado policial porque garantia as necessidades básicas dele, e aqueles de alguma iniciativa deixaram a ilha. Agora, os cubanos estão fartos.

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